Queimou a largada – João Guilherme Vargas Netto

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É uma grave afronta à vigência democrática a repressão violenta, pela polícia, de uma manifestação de trabalhadores ou de uma greve.

Os 300 trabalhadores de uma empresa metalúrgica multinacional moderna e avançada tecnologicamente em São José dos Pinhais, no Paraná, em seu empenho de negociar um acordo coletivo de trabalho com reivindicações próprias, foram obrigados devido a intransigência patronal a entrarem em greve nos últimos dias de janeiro.

Greve que persistia até a quarta-feira da semana passada, quando uma delegação do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba presente para auxiliar os trabalhadores foi violentamente agredida pela PM que patrulhava o local; um dirigente chegou a ser derrubado, imobilizado e escarmentado.

Os trabalhadores, contudo, mantiveram-se firmes continuando a greve apesar da repressão e da contratação de fura-greves pela empresa. O Sindicato continua as negociações, mas restou do episódio a brutalidade policial e a intransigência da empresa.

Ainda que a mídia grande nacional não tenha registrado nem a greve, nem a agressão, as centrais sindicais unidas emitiram nota de repúdio à agressão e de solidariedade aos trabalhadores e ao sindicato; inúmeras entidades sindicais do Paraná também se manifestaram, bem como dirigentes políticos de partidos próximos ao Sindicato.

A truculência policial fez aparecer uma mancha no governador Ratinho Júnior, com a indelével marca antitrabalhador; ele queimou a largada perante o sindicalismo em suas pretensões presidenciais.

João Guilherme Vargas Netto – consultor de entidades sindicais de trabalhadores