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sábado, 12/09/2026
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Tudo errado no Dark Horse, diz Sindcine

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Imagem: Site do PT / IA

“O cinema nunca foi e não pode ser espaço para arranjos, negociatas, trambiques e malversações. Por isso, esse filme, Dark Horse, a rigor, nem poderia ter sido filmado no Brasil”. O comentário é de Sonia Santana, presidente do Sindcine, entidade de classe dos técnicos no audiovisual em São Paulo e mais cinco Estados.

O filme, segundo a dirigente, foi realizado sem cumprimento às normas que regem produções estrangeiras em nosso País. “Esse pessoal chegou aqui com muito dinheiro, com empáfia, sem observar padrões trabalhistas, achando que somos uma terra sem regras ou leis”, ela critica.

Para entrar legalmente no Brasil, a produtora-mãe teria que contatar a Embaixada brasileira, que trataria com a Ancine sobre os procedimentos legais e até a fim de garantir visto aos profissionais vindos de fora. Por lei, explica a dirigente do Sindcine, produtora estrangeira tem que contratar uma brasileira pra ser a responsável pela produção em nosso País. “Ocorre que a Go Up Entertainment montou filial no Brasil, passando a ser fiadora dela mesma”, alerta Sonia.

A dirigente comenta que, se uma equipe de filmagem brasileira entrar ilegalmente nos Estados Unidos é expulsa em menos de 24 horas e nunca mais poderia pisar por lá. “Mas aqui entraram de forma ilegal”, ela enfatiza.

Custo – Para Sonia Santana, experiente profissional do setor de produção, “o filme não tem efeitos especiais, não tem cenas espetaculares, não tem elenco caro, não tem sofisticação na produção. Portanto, não tem nada que justifique um custo superior ao próprio ‘Ainda estou aqui’, que custou R$ 45 milhões, incluindo toda a campanha para conquistar o Globo de Ouro e o próprio Oscar”. Ela ironiza: “Aquela peruca do personagem principal não custa mais que três dólares”.

Recursos – Sabe-se que parte do orçamento do “azarão” foi coberto por dinheiro do banco Master, conforme gravações de diálogo entre Flavio Bolsonaro e Daniel Vorcaro (a PF está apurando, agora sem sigilo). No caso das emendas parlamentares de Mario Frias e outros congressistas da direita, “não há dúvida de que se trata de dinheiro público e, sendo público, é preciso apurar, exigir transparência e, se for o caso, aplicar a lei contra os infratores”.

Fundo – A produção cinematográfica mais encrencada de todos os tempos também aponta desvio de finalidades no Fundo criado por Eduardo Bolsonaro e seu advogado. Este é quem aparece como gestor do Fundo atualmente. “Pode ser que tenha havido evasão de recursos para o Exterior”, pondera Sonia Santana.

Transparência – De acordo com a dirigente, a produção no audiovisual tem tradição de transparência. Ela diz: “Aprendemos a ser transparentes”. Até por isso, o Sindcine cobra exame do manuseio dos recursos, transparência e respeito ao que estabelece a Convenção Coletiva da categoria. “Apure-se tudo. Doa a quem doer”, afirma Sonia Santana.

MAIS – Acesse o site do Sindcine