Frentistas buscam valorização profissional

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Eusébio Luis Pinto Neto concedeu longa entrevista ao jornalista João Franzin, da Agência Sindical. Na matéria, o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Postos de Combustíveis – Fenepospetro fala de direitos, riscos da profissão, assédio e da necessidade de maior organização da categoria e da classe trabalhadora em geral.

Principais trechos

Os cerca de 550 mil frentistas nos 55 mil postos de combustíveis do Brasil podem realizar, em breve, um Dia Nacional de Mobilização e Luta. A ideia, em discussão pelas lideranças da categoria, foi detalhada por Eusébio, que também preside o Sinpospetro-RJ, Sindicato da categoria no Rio de Janeiro.

O dirigente afirma: “Estamos trabalhando pra fazer esse Dia Nacional de Mobilização com o objetivo justamente de mostrar ao próprio trabalhador e à sociedade a importância da nossa profissão pra economia nacional. Sem frentistas, o Brasil para”.

Data e local do evento ainda não foram definidos. Eusébio destaca a necessidade de organizar um evento forte, que engaje os trabalhadores do setor e ganhe a simpatia dos clientes e da sociedade.

Para o sindicalista, um ato desse porte vai além de buscar aumentos salariais ou batalhar por uma pauta específica e localizada. Ele explica: “Não basta querer que o trabalhador só lute por salário. Todos somos cidadãos. Portanto, o trabalhador deve ser politizado, ter consciência clara sobre a importância de ser um cidadão que luta pelos seus direitos”.

Quem é – Na entrevista, Eusébio Luis Pinto Neto esclarece uma dúvida: quem trabalha na loja de conveniência do posto também é frentista? Sim. Até porque, nos momentos de maior movimento, todos os funcionários da planta, como borracheiros, lubrificadores, lavadores e atendentes de loja, são chamados pra pista. “Todas as pessoas que estão na planta são frentistas”.

Periculosidade – A profissão requer Adicional de Periculosidade de 30% sobre o salário. No Rio de Janeiro, o Sindicato também conseguiu incluir na Convenção Coletiva direito ao Adicional para quem trabalha nas lojas de conveniência, resolvendo uma indefinição que antes exigia laudo técnico e medição de distância do ponto de abastecimento.

O GNV, gás natural veicular, trouxe um risco à parte. Segundo Eusébio, “o GNV é mais perigoso ainda que a gasolina porque está muito vulnerável à explosão”. Nosso presidente alerta que muitos cilindros do gás não oferecem segurança, às vezes estão vencidos ou são clandestinos, acabam explodindo e até mesmo causam acidentes fatais.

Assédio – Com certeza, o Dia Nacional de Luta e Mobilização vai destacar o problema do assédio moral ou sexual. Eusébio alerta para o assédio sofrido pelas trabalhadoras. O problema começa dentro das próprias empresas. Ele comenta: “Tem empresário que passa a exigir das mulheres um tipo de uniforme que acaba marcando muito o corpo, já com a intenção de ser um chamariz para certos clientes. Isso já é um assédio moral da parte da empresa”.

A orientação geral da Fenepospetro e de todos os Sindicatos é que a trabalhadora assediada denuncie ao seu Sindicato, buscando providências ou assistência. O Sindicato pode também acompanhar à delegacia de Polícia a trabalhadora assediada, para que ela registre a ocorrência.

Reforma trabalhista – O sindicalismo sofre os efeitos da política e das tendências dos governos. Esses efeitos chegam na base social e têm reflexos na vida dos trabalhadores.

Eusébio citas as reformas trabalhista e previdenciária de Temer e Bolsonaro. Reformas de caráter neoliberal, que causaram graves danos à organização sindical e aos direitos da classe trabalhadora.

Nosso presidente comenta: “Os governos de Temer e de Bolsonaro fizeram muitos ataques aos nossos direitos. A imensa maioria dos trabalhadores ficou sem aumento real. A política pela recuperação do salário mínimo foi congelada e só retomada agora, no Lula 3.”

Em todos os momentos da vida social, econômica ou política, a saída passa, obrigatoriamente, pela luta. Eusébio afirma: “Não acredito em aumento de salário só na mesa de negociação, sem luta dos trabalhadores. Não tem técnica de negociação que faça o capitalista ceder e oferecer aumento real de salário. Isso tem que ser obtido com organização e pressão”.

A Agência Sindical acompanhará o passo a passo da organização do Dia Nacional de Mobilização dos Frentistas e divulgará as informações assim que a data for confirmada.

Histórico – A categoria dos frentistas começou a se organizar ainda nos anos 80, desmembrando-se das entidades dos empregados em derivados de minérios.

Nesse ínterim, houve muitas conquistas, como Piso Salarial, Adicional de 30%, aumentos reais e a Lei 9.956/2000, que proíbe as bombas de autoabastecimento, garantindo o emprego da categoria. Eusébio resume: “Tudo o que temos brotou das lutas. É fruto da unidade na base e da capacidade das nossas direções. Mas temos muito ainda a conquistar”.