CNTC – Manifesto contra doenças do trabalho

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A cada dia, ganha mais força a luta sindical pela redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1. A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio – CNTC, maior Confederação de trabalhadores do País, publica Nota na qual expõe sua posição em defesa dos mais de 12 milhões de representados no comércio e nos serviços.

A CNTC chama atenção para a necessidade do diálogo social, como forma de aperfeiçoar as relações de trabalho e a própria democracia.

Diz o Documento: “O Brasil precisa avançar pra um modelo de trabalho compatível com os desafios do presente e do futuro. Crescimento econômico não pode depender da exaustão de quem move o País todo dia. Nenhuma mudança estrutural nas relações de trabalho pode ocorrer sem diálogo social, negociação coletiva e participação ativa das entidades sindicais. Trabalhar é fundamental, mas nenhum trabalhador deve adoecer para garantir o próprio sustento”.

LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA

“A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), que representa mais de 12 milhões de trabalhadoras e trabalhadores do comércio, bens e serviços em todo o País, manifesta apoio à construção de um novo modelo de organização do trabalho, com jornadas mais equilibradas e humanas, sem redução salarial, e ao enfrentamento da escala 6×1, como medidas necessárias para construir um Brasil mais saudável, produtivo e socialmente equilibrado.

O debate sobre jornada de trabalho não é ideológico. É uma discussão sobre saúde pública, produtividade e qualidade de vida.

O atual modelo de jornadas extensas, excesso de horas extras e disponibilidade permanente vem produzindo adoecimento físico e mental em larga escala. Dados da Organização Mundial da Saúde e da Organização Internacional do Trabalho mostram que jornadas superiores a 55 horas semanais aumentam em 35% o risco de AVC e em 17% o risco de doenças cardíacas.

No Brasil, os afastamentos por “burnout” cresceram 493% entre 2021 e 2024. No ano passado, houve registros de 472 mil afastamentos por transtornos mentais relacionados ao trabalho, pressionando trabalhadores, empresas, Previdência e o sistema público de saúde.

Nos setores de comércio e serviços, onde predominam jornadas prolongadas, trabalho aos fins de semana e forte pressão por disponibilidade, a escala 6×1 aprofundou o desgaste físico e emocional dos trabalhadores. Seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso comprometem a saúde, reduzem o convívio familiar e aumentam a rotatividade da mão de obra.

O próprio setor produtivo já reconhece os impactos desse modelo. Empresas dos setores de comércio e serviços enfrentam dificuldades crescentes para contratar e manter empregados, especialmente em funções operacionais marcadas por jornadas extensas e alta pressão. A elevada rotatividade gera custos constantes com contratação, treinamento e reposição de funcionários, além de afetar a produtividade e a qualidade do serviço prestado.

O adoecimento físico e mental provocado pela sobrecarga de trabalho também amplia afastamentos e reduz o desempenho das equipes.

A CNTC alerta para o uso abusivo do banco de horas, ampliado após a reforma trabalhista de 2017. Um instrumento que deveria ser excepcional passou a ser permanente, permitindo jornadas excessivas sem a devida compensação financeira e fragilizando o direito ao descanso.

A experiência internacional demonstra que jornadas mais equilibradas podem coexistir com crescimento econômico, geração de empregos e aumento da produtividade. Países como Islândia, França, Portugal, Espanha e Chile avançaram em modelos de redução ou reorganização da jornada de trabalho com resultados positivos sobre produtividade, saúde mental, retenção de trabalhadores e qualidade de vida. Essas experiências mostram que trabalhador saudável produz mais, permanece mais tempo no emprego e contribui para um ambiente econômico mais sustentável e eficiente.

A CNTC defende: Redução da jornada de trabalho, sem redução salarial, enfrentamento da escala 6×1, fortalecimento da negociação coletiva com participação ativa dos sindicatos, revisão dos mecanismos abusivos de banco de horas, proteção da saúde física e mental dos trabalhadores, valorização do descanso semanal e da convivência familiar, desenvolvimento econômico com produtividade sustentável e justiça social.

Brasília, maio de 2026

Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC).

Subscrevem o presente documento as seguintes Federações:

Federação Nacional do Técnicos de Segurança do Trabalho – Fenatest. Federação Nacional dos Empregados Vendedores, Viajantes do Comércio e Propagandista de Produtos Farmacêuticos – Fenavenpro. Federação Nacional das Secretárias e Secretários – Fenassec. Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo – Fetramico. Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços Combustíveis Derivados de Petróleo – Fenepospetro. Federação dos Empregados no Comércio de Bens e Serviços do Norte e do Nordeste – Feconteste. Federação dos Empregados no Comércio dos Estados da Bahia – Fecombase. Federação dos Trabalhadores no Comércio dos Estados de Goiás e Tocantins – Fetracom. Federação dos Empregados no Comércio de Bens e Serviços do Estado do Rio Grande do Sul – Fecosul. Federação dos Empregados no Comércio e Serviços dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo – Fecerj. Federação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços dos Estados do Pará e Amapá – Fetracom. Federação dos Empregados no Comércio do Estado do Maranhão – Fecomerciários. Federação dos Empregados nos Grupos do Comércio do Estado do Mato Grosso – Fecmt. Federação dos Empregados no Comércio e Congêneres do Estado de Minas Gerais – Fecomerciários. Federação dos Empregados no Comércio do Estado do Paraná – Fecep. Federação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços do Estado do Piauí – Fetracompi. Federação dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo – Fepetrol. Federação dos Empregados Agentes Autônomos do Comércio do Estado de São Paulo – Feaac. Federação dos Empregados no Comércio do Estado de São Paulo – Fecomerciários. Federação dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis Derivados de Petróleo dos Estados de São Paulo – Fepospetro. Federação dos Empregados no Comércio e Serviços do Estado de Sergipe – Fecomse”.

MAIS – Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio. Telefone (61) 3217.7100.