Dirigentes da Alimentação denunciam descaso com saúde dos trabalhadores

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JBS de Passo Fundo (RS) foi interditada devido a surto de coronavírus

O avanço do novo coronavírus tem preocupado a sociedade e o sindicalismo, que intensifica a luta pra preservar empregos, renda e principalmente a saúde dos trabalhadores de segmentos considerados essenciais.

É o caso da cadeia industrial da alimentação, que emprega 1 milhão e 600 mil pessoas. Empresas como a JBS, BRF e outras gigantes não paralisaram suas atividades para poder manter o abastecimento.

É o que explica Artur Bueno de Camargo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação (CNTA Afins). O dirigente é defensor do isolamento social. Mas sabe que setores essenciais não podem parar. “Diante da falta de preocupação do Presidente da República com a saúde da população, temos feito essa negociação com as empresas a fim de adotar medidas que garantam a proteção à saúde dos funcionários”, ele afirma.

Segundo o dirigente, a Confederação negocia com a BRF (Perdigão e Sadia), que emprega diretamente cerca de 100 mil trabalhadores, um acordo que prevê ampliar as ações de proteção aos funcionários das fábricas durante a pandemia. Já a JBS (Friboi), responsável por 70 mil funcionários, se esquiva das negociações. A pressão para que o patronato adote medidas de proteção é feito em parceria com a Contac-CUT.

Surto – A postura intransigente da JBS preocupa os sindicalistas, e com razão. Dia 24, a unidade da empresa em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, foi interditada por auditores-fiscais do Trabalho devido a um surto de coronavírus (Covid-19). A fábrica, que emprega 2,6 mil funcionários, não cumpriu medidas essenciais para controlar a proliferação da doença. Foram confirmados 48 casos de contaminação e 106 sob suspeita pela Secretaria Estadual de Saúde. O MPT ainda registra a morte de quatro parentes de funcionários da empresa.

Em entrevista à Agência Sindical, Miguel Luiz dos Santos, presidente do Sindicato da Alimentação de Passo Fundo, conta que a situação de vulnerabilidade da planta foi denunciada pelo entidade desde o início. “Enviamos um ofício solicitando providências. Mas eles argumentaram que já estavam cuidando disso”, ele afirma.

O dirigente conta que diante da falta de negociação com a empresa, o Sindicato comunicou o Conselho Municipal de Saúde e apresentou denúncia ao Ministério Público do Trabalho, que constatou a situação.

Irresponsabilidade – Durante a vistoria, auditores-fiscais detectaram o uso improvisado de máscaras, sem qualquer garantia de eficiência como Equipamento de Proteção Individual (EPI), falta de distanciamento mínimo entre trabalhadores nas linhas de produção e o não afastamento de trabalhadores com sintomas compatíveis com a Covid-19.

“Vamos continuar fiscalizando e acompanhando o caso para que a fábrica não volte a funcionar de forma irresnponsável e sem as devidas condições de proteção à saúde de seus trabalhadores. Estamos defendendo vidas e não só empregos”, garante Miguel.

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