Entregadores denunciam exploração e falta de proteção

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A Agência Sindical entrevistou, em live na terça (30), Gerson Silva Cunha, presidente do SindimotoSP. O dirigente traçou um panorama da categoria no Estado de São Paulo, que tem cerca de 500 mil motociclistas.

Segundo Gerson, o número cresceu durante a pandemia, devido ao aumento das entregas, especialmente de alimentos. Mas o pagamento por quilômetro rodado caiu muito, o que obriga a jornadas extenuantes – era de R$ 4,6 por quilômetro rodado e baixou pra 70 centavos. “Esse trabalhador, aqui em São Paulo, roda mais de 60 quilômetros. Quando muito ganha R$ 60,00 ou R$ 70,00, mas numa jornada que pode chegar a 16 horas”, ele denuncia.

Nesta quarta (1º), entregadores paralisam as atividades em 18 Estados e no Distrito Federal. Entre as principais reivindicações da categoria estão alimentação, aumento nos valores das taxas pagas por cada entrega, seguro de vida e o fornecimento de Equipamento de Proteção Individual (EPIs).

Gerson também critica a falta de apoio das empresa de aplicativos nos casos de acidentes no trânsito. “A responsabilidade seria do aplicativo. Porém, nos últimos dois meses, seis motociclistas perderam a perna. A empresa de APP largou os meninos no desamparo. O Instituto Lucy Montoro doou próteses a eles. Já temos várias ações judiciais contra essas empresas”, ele denuncia.

Confira os principais trechos:

Protesto – O protesto será nacional. Em São Paulo acontece em vários municípios. Sairemos de cinco regiões até o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. Queremos que o Tribunal interceda por nossa categoria. O Ministério Público identificou que os trabalhadores têm vínculo.  As empresas de APP se dizem intermediadoras de negócio, mas são elas que colocam valores e ditam as regras.

Cadastro – O credenciamento do trabalhador é feito por meio de Aplicativo. Em alguns dias, a plataforma é ativada e eles começam a sair pra rua. As empresas só pedem habilitação e documento da moto. No caso dos ciclistas, é só preencher os dados e comprovar onde moram. Não recebem EPIs, como máscaras, capacetes e luvas. Eles não têm dinheiro pra comprar e acabam ficando expostos.

Segurança – No acidente, a responsabilidade seria do Aplicativo. Porém, nos últimos dois meses, seis motociclistas perderam a perna. A empresa de APP largou os meninos no desamparo. O Instituto Lucy Montoro doou próteses a eles. Já temos várias ações judiciais contra essas empresas.

Renda – Hoje um motociclista faz média de R$ 60,00 e no máximo R$ 90,00 por dia. Roda mais de 60 quilômetros. Bem mais.  Na bicicleta, o trabalhador tira de R$ 35,00 a R$ 60,00. Faz de 12 a 16 horas por dia, de domingo a domingo.

Mais – Acesse o site do SindimotoSP.

 

 

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