O genocídio Yanomami – por Luiz Fernando Emediato

Data:

Compartilhe:

O ex-presidente Bolsonaro pode não ser condenado pelos muitos crimes cometidos, mas pelo menos por um precisa ser punido: o genocídio dos índios yanomami. Esse crime está caracterizado: genocídio é o morticínio deliberado de uma etnia, um povo.

O desprezo desse monstro degenerado por indígenas, negros, mulheres, gays e quilombolas vêm de longe. Sempre foi um discípulo de Hitler.

Em 1998, o então deputado disse o seguinte, em sessão da Câmara dos Deputados: “A cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema em seu país”.

Dele, então, veio o esperado: inércia total diante de 21 denúncias sobre a trágica situação nas aldeias yanomais, cercadas por garimpeiros, contaminação por mercúrio, doenças e inanição.

Falhamos, esta é a verdade, como sociedade. Falhamos todos nós. Porque não basta denunciar, assinar manifestos, correr o mundo. É preciso agir, e não agimos.

Em situação de guerras, civis ou entre países, entram em ação a Cruz Vermelha, os capacetes brancos, as organizações humanitárias. No caso do genocídio dos ianomâmi, muitos gritaram, mas ninguém agiu.

A omissão do governo morticida poderia ter sido enfrentada com rigor, com, por exemplo, uma ação junto ao STF para obrigar o governo a dar apoio à entrada de organizações humanitárias na região.

Há lá garimpeiros armados, que mataram Dom Phillips e Bruno Pereira? Há. Mas deviam ter sido enfrentados com coragem. Como presumo que serão enfrentados agora.

Em abril de 1988 surgiu, não me lembro de onde, a denúncia de que garimpeiros – sempre eles – estavam dizimando índios yanomami. Ninguém agiu. Eu era diretor de jornalismo do SBT, tinha acabado de assumir e enviei para lá uma equipe com o repórter João Batista Olivi.

A reportagem de Olivi, dramática, emocionante, foi exibida em 108 países. O presidente José Sarney, alarmado com a repercussão, teve que agir. E agiu.

Os yanomami foram socorridos. Mas enfrentam agora situação pior, com muito mais mortes que em 1988. O presidente Lula foi lá, as imagens dramáticas estão correndo o mundo, o socorro chegou.

Mas é preciso que os garimpeiros sejam retirados, por bem ou à força; e que o responsável maior pelo crime pague por ele, nos termos da lei.

Fora disso, é omissão.

Luiz Fernando Emediato é jornalista, escritor e editor da Geração Editorial.

Conteúdo Relacionado

É Lula ou a escravidão, afirma Cabeça

É Lula ou a escravidão, diz CabeçaO Podcast Repórter Sindical desta quarta, dia 23,  recebeu Josinaldo José de Barros (Cabeça). Ele preside o Sindicato...

Ganhos salariais reais sobem em agosto

O boletim “De Olho Nas Negociações”, do Dieese, referente ao mês de agosto, traz boas notícias. Uma delas é que cresceram os aumentos reais...

Repórter Sindical recebe líder metalúrgico

Cabeça (Josinaldo José de Barros) participa nesta quarta do Podcast Repórter Sindical. Ao vivo, às 15 horas, no Canal Youtube da Agência Sindical. O...

Protesto na Casas Bahia da Berrrini

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo - SECSP realizou, nesta terça-feira (22), ato em frente a uma das principais unidades das Casas Bahia...

Dispensas nas Casas Bahia são problema social

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio volta a se manifestar sobre a situação dos trabalhadores demitidos das Casas Bahia. A CNTC continua buscando,...