O voto secreto da fome na urna da esperança

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A largada para campanha eleitoral 2022 foi dada na semana passada e, agora, cabe a nós brasileiros escolhermos o novo Congresso, as assembleias legislativas e, principalmente, o presidente que vai governar o Brasil nos próximos quatro anos. O desmonte social e econômico do governo Bolsonaro lançou milhares de brasileiros ao planeta fome — lugar obscuro onde não há comida, emprego, direitos, moradia, assistência social, saúde e educação. O Brasil retrocedeu três décadas em três anos e oito meses de governo. O pobre ficou miserável, a classe média encolheu e os investidores do mercado financeiro continuam nadando de braçada.

O Brasil, onde assalariado comprava casa própria, carro zero e viajava de avião nas férias, ficou no passado. Ao contrário dos investidores, o trabalhador nada no mar revolto da desesperança sem perspectiva de alcançar um porto seguro. Está difícil, mas vai passar! Faltam 41 dias para a gente virar essa página trágica da história do Brasil.

Precisamos exercitar o voto econômico útil para tirar o país desse abismo. O trabalhador perdeu direitos, mas principalmente a dignidade. Mais de 38 milhões de brasileiros ficaram inadimplentes, no primeiro semestre de 2022, por deixar de pagar despesas com alimentação. A crise econômica, que atingiu a mesa dos brasileiros, provocou o aumento de casos de crimes famélicos — aqueles motivados pela fome, como furtos de comida.

Para não se endividar ainda mais, o brasileiro deixa de levar para casa toda a comida que escolhe e coloca no carrinho do supermercado. O corte acontece na boca do caixa, quando o valor da conta passa do previsto. Entre janeiro e junho deste ano, 4,997 milhões de itens foram abandonados. Entre os itens que são abandonados estão: óleo, açúcar, leite e farinha de trigo. A queda no valor dos combustíveis não reduziu a inflação dos alimentos. Nos últimos doze meses, a inflação dos alimentos ficou em 14,72%, ante o IPCA de 10,07%.

E como Bolsonaro governa para o mercado financeiro e não para os mais vulneráveis, abriu uma linha de crédito consignado para os beneficiários do Auxílio Brasil. O dinheiro público, que deveria ser usado em gastos básicos de sobrevivência, servirá para turbinar os lucros dos bancos. Ele joga com o desespero e com a necessidade dos pobres.

Em 2019, Bolsonaro disse que a missão de seu governo era “desconstruir” e “desfazer muita coisa”, pois ele cumpre à risca o que falou. Assinou a própria confissão com ritos de intensa crueldade. É um ser desalmado!

Não se iludam companheiros! Está chegando a hora da gente dar um basta nisso. Vamos nos unir, depositar nosso voto na esperança para voltar a ser feliz.

Eusébio Pinto Neto é presidente da Feneposptro e do Sinpospetro/RJ

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