Para consultor do Diap, eleitor brasileiro desautorizou extremismo

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Essas eleições, em meio à pandemia, logo após a derrota de Trump e também frente ao desgaste bolsonarista, mostraram a população cautelosa quanto a projetos extremistas. Mesmo a direita conservadora procurou parecer equilibrada.

A avaliação é de Antônio Augusto de Queiroz (Toninho), consultor político em Brasília e integrante do Diap – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. Ele falou à Agência Sindical, terça (17).

PRINCIPAIS PONTOS:

Prefeituras – “Houve grande avanço conservador e reocupação de espaço pela direita orgânica. Mas, mesmo essa direita, formada por gente muito prática, procurou parecer de centro e afastar qualquer imagem de extremista”.

Câmaras – “Importante aumento na representação por indígenas, negros, LGTBs e quilombolas. Esses setores, que estavam sem voz, não tiveram receio de ir às ruas expor suas bandeiras. Ao se fazer ouvir, conseguiram apoio e voto”.

Negacionismo – “A população viu que o negacionismo se esgota em si mesmo. A extrema direita, como Trump e Bolsonaro, é ruidosa, mas não tem efetividade na hora de governar e atender às necessidades da população. Bolsonarismo e trumpismo foram didáticos, portanto”.

Congresso – “O crescimento da direita articulada terá reflexos no Congresso. Essa direita é fiscalista e privatista. Ou seja, antipovo. Bolsonaro perde margem de manobra. Apoios sairão mais caros”.

Orçamento – “Hoje, os parlamentares mandam mais, pois dispõem do fundo eleitoral, fundo partidário e das emendas impositivas. É dinheiro; não é pouco. Eles têm autonomia nesse manejo, com ou sem crise. Guedes não manda ali.”

Cenários – “Tudo indica pra 2022 três núcleos de candidaturas presidenciais. A centro esquerda, com PT, Ciro, PSB, Dino e outros. A centro direita, com Moro/Huck, e a extrema direita bolsonarista. Nesse contexto, a palavra progressista ganha força ante a ideia de esquerda, que está desgastada. Progressista é palavra que não ofende ninguém”.

Sindicalismo – “Pressionado pela crise econômica, a falta de recursos e a onda de ataques a direitos, o movimento sindical ficou na defensiva. Deveria também ter ido às ruas expor bandeiras, levantar a voz, se fazer ouvido e disputar o voto, como fizeram outros setores, com resultados positivos”.

MAIS – Site do Diap.

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