A pandemia da Covid-19 impõe uma série de novos desafios para a retomada da economia em todo mundo. Nesse processo, a inclusão das pessoas com deficiência deve ser garantida. Foi o que defendeu o 13º Encontro Anual do Espaço da Cidadania, realizado quarta, 18, por videoconferência.

Com o tema “Inclusão das pessoas com deficiência no trabalho- cenário nacional e internacional”,  o debate foi por Marinalva Cruz, secretária adjunta da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo.

Participaram Peter Torres Fremlin (Inglaterra), consultor internacional na área de inclusão de pessoas com deficiência, Maribel Batista Matos (Chile), da Organização Internacional do Trabalho para o Cone Sul, e o desembargador do Trabalho, Ricardo Tadeu Marques da Fonseca (Brasil).

Ameaça– Carlos Aparício Clemente, coordenador do Espaço da Cidadania e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, abriu o debate com dados da Nota Técnica 246 do Dieese. Segundo ele, vida e empregos estão sob ameaça. “Além matar mais de 167 mil pessoas, a pandemia reduziu 4% dos empregos dos trabalhadores com deficiência. São mais de 21 mil empregos a menos, do que dezembro do ano passado”, alertou.

Durante o debate, ficou claro que o desafio é maior que a recuperação econômica. Segundo, palestrantes, será necessário também resgatar valores que tem se perdido por intolerância à diversidade.

“Estamos vivendo um choque no mercado de trabalho. Vamos precisar de muito investimento para a retomada da economia e as pessoas com deficiência têm que estar dentro disso”, reforçou Peter Fremlin.

Lei de Cotas – Para o desembargador do trabalho Ricardo Tadeu, a defesa dos direitos das pessoas com deficiência deve ser permanente. Isso inclui a lei de Cotas, fortemente ameaçada pelo Projeto de Lei 6.15, considerado um retrocesso. “A Lei de Cotas sempre foi ameaçada, mas nunca pelo poder executivo e a base de apoio do Governo é muito forte. A aliança que o governo faz com o centrão é uma ameaça concreta e séria para a Lei de Cotas”.

Sindicalismo – Maribel Batista, da OIT, falou sobre o papel dos Sindicatos para fortalecer a luta em defesa dos diretos dos trabalhadores com deficiência. “É importante que haja formação do dirigente. Isso inclui também a formação da pessoa com deficiência para ter acesso ao emprego, ao diálogo social, com vistas a garantir condições adequadas de trabalho”, destacou Maribel.

Para ela, o movimento sindical brasileiro se destaca porque tem o tema incorporado na negociação coletiva, que se trata de uma ferramenta poderosa para iniciar o diálogo necessário e garantir a igualdade de oportunidades a todas as pessoas, inclusive às pessoas com deficiência.

 

Live – Assista abaixo na íntegra.

 

 

 

 

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