A experiência ensina que a melhor economia é aquela que combina Estado e mercado. Ou seja, nem tudo é estatal e nem tudo fica nas mãos do setor privado.
Foi esse modelo que Getúlio Vargas começou a implantar com a Revolução de 30 e depois prosseguiu em seu segundo mandato, quando criou a Petrobras. Ele também criou o Banco do Brasil, a Eletrobras, o BNDEs e outras instituições de apoio ao Estado e fortalecimento da economia privada.
Esse modelo vigorou por muito tempo e fez o Brasil obter o maior crescimento econômico do mundo. Para que isso acontecesse, o País contou também com empresas estatais como a Vale do Rio Doce e a Embraer. Nosso agronegócio é hoje essa potência devido à capacidade técnica e científica da Embrapa, que é estatal.
Portanto, desconfie de político que queira levar 100% da economia pra debaixo das asas do Estado ou defenda a privatização de tudo. A virtude está no meio, ensina o velho ditado. E a voz do povo completa: nem oito, nem oitenta.
Por que digo isso? Porque o governador Tarcísio de Freitas tem sido irresponsável ao querer privatizar tudo e mostrado incompetência na gestão dos serviços privatizados. O acidente no trem na CPTM dia 23 não foi um fato isolado. As linhas privatizadas do Metrô vivem dando problemas ou gerando acidentes que travam todo o transporte na Grande São Paulo.
Nossa rotina diária muitas vezes nos impede de olhar ao redor e perceber a real dimensão da região ou da própria cidade. O transporte sobre trilhos na Grande São Paulo conduz diariamente seis milhões de pessoas. Só o Metrô, 2,4 milhões. Dessa massa, a imensa maioria é de trabalhadores.
Os acidentes em trens e metrôs produzem transtornos gigantescos. Mas os maiores prejudicados são os trabalhadores. Até porque o pico no transporte sobre trilhos ocorre das 6 às 8h30 e das 17 às 19h30. Ou seja, na ida e na volta do trabalho.
A cada dia crescem as reclamações não só quanto aos trens e metrôs. A população reclama da Sabesp, da Enel e dos serviços em postos de saúde por meio das chamadas “OS/OSS” – organizações sociais, que de sociais não têm nada.
Por trás de toda privatização tem pelo menos uma negociata. Junto a qualquer privatização tem sempre um político, um partido ou uma organização política disfarçada de ONG, fundação, associação e outras entidades de fachada.
Voto – Em outubro, teremos eleições gerais no Brasil. Nosso voto decidirá se a água vai chegar em nossa casa, e chegar limpa; se vai faltar energia na rua ou no bairro; se o transporte público vai continuar nesse calvário diário; se vai ter médico no posto de saúde; se vai ter vacina na rede pública.
Portanto, preste atenção em cada candidato. Conheça a vida pregressa do pretendente. Examine sua folha de serviços. Até porque a árvore se conhece pelos frutos que ela dá.
Josinaldo José de Barros (Cabeça) – Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.









