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quarta-feira, 13/05/2026

Salários ainda perdem para inflação, mostra Dieese

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Os salários perdem para inflação. Quem nos mostra isso é o Dieese, por meio do Boletim 23 – “De Olho nas Negociações”.

Acordos acompanhados até 10 de agosto indicam que 31,8% dos salários tiveram ganhos acima do INPC (Indice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses.

Em 20,8% dos casos, os reajustes foram iguais à inflação. Porém, 47,3% das negociações tiveram resultado abaixo do INPC.

A variação real média dos reajustes de julho ficou negativa em -1,10%. Mesmo com a deflação de 0,6% no mês, o reajuste necessário para zerar a inflação na data-base de agosto seria de 10,12%.

Considerando apenas os reajustes com ganhos acima do INPC, a variação real em julho foi de 0,39%, muito aquém da alta de preços.

Como isso impacta na vida das famílias?

Levando em conta todas as negociações neste ano, 20,7% dos reajustes negociados ficaram acima do INPC. Outros resultados: 35,4% tiveram valores iguais ao índice e 43,9% não repuseram as perdas inflacionárias.

Segundo Luis Ribeiro, técnico do Dieese e responsável pelo acompanhamento das negociações coletivas, a consequência imediata desse cenário é a diminuição da renda média e do poder aquisitivo dos trabalhadores devido à inflação elevada.

Por que os salários ainda perdem para inflação?

De acordo com Luis Ribeiro, além da inflação de dois dígitos “a informalidade e o alto índice de desemprego são os principais motivos para os salários de várias categorias não receberam ganhos reais”.

Para ele, o medo da demissão também tem um papel fundamental nessa equação: “os funcionários de carteira assinada não querem entrar em greve por medo de perder o emprego e isso faz com que as negociações salariais sejam prejudicas. E mesmo quando o trabalhador consegue um reajuste que acompanha o INPC acumulado dos 12 meses, a inflação alta logo corrói o seu poder de compra”, ressalta.

Sindicato forte consegue salário com ganho real

No acumulado do ano, até julho, reajustes iguais ou acima do INPC foram mais frequentes no comércio (69,6%). Na indústria, o percentual de resultados iguais ou acima da inflação ficou em 65% – um pouco inferior ao observado no comércio.

Nos serviços, 52,6% dos reajustes não conseguiram repor a inflação. Mas é no setor industrial que se nota o maior percentual de reajustes com aumentos reais: 26,9%.

“Categorias que têm um sindicato forte têm maior poder de negociação e conseguem reajustes com ganhos reais, isso explica porque indústria e comércio apresentam melhores índices”, conta Luis.

Para o acumulado entre agosto e dezembro, o técnico do Dieese prevê uma pequena melhora de cenário, mas sem perspectiva de estabilidade em longo prazo.

“Apesar de ainda não termos dados oficiais, a perspectiva é que até o final do ano a gente tenha um cenário um pouco melhor. Isso porque muitas categorias, com sindicatos fortes, começam à fechar acordos, o que gera uma pequena melhora nos indicadores. Mas não quer dizer que haverá uma retomada econômica do país, pois as medidas adotadas pelo governo federal visando à eleição também vão impactar nos salários em 2023”.

Veja aqui o Boletim De Olho nas Negociações.

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