Seguir reduzindo os juros – Murilo Pinheiro

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Banco Central acertou o rumo ao baixar meio ponto percentual na Selic, agora em 13,25%. Contudo, em patamar ainda excessivamente elevado, é preciso manter a tendência de queda da taxa para que haja crescimento econômico e geração de empregos.

 

Foi com alívio que a sociedade brasileira recebeu notícia de redução da taxa básica de juros decidida na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ligado ao Banco Central, realizada na semana passada, nos dias 1º e 2 de agosto. Finalmente deixando os 13,75% em que foi mantida por 13 longos meses, a Selic foi a 13,25%, confirmando a expectativa geral de menos meio ponto percentual.

Saudada pelo empresariado do setor produtivo, pelo movimento dos trabalhadores, por lideranças políticas e da sociedade civil e por especialistas, a medida positiva precisa ser o início de um caminho de acertos na política monetária, que deve ser colocada em convergência com a demanda urgente de retomada do crescimento.

Se o remédio amargo dos juros altos já não era o indicado mesmo com a inflação alta – posto que esta não se dava por excesso de aquecimento na economia, mas sim devido ao salto de preços administrados –, com a escalada do custo de vida sob controle, a medida fica ainda mais sem sentido. Registrando -0,08% em junho, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 3,16% no acumulado de 12 meses, bastante distante dos 10,07% de julho de 2022.

O controle da inflação foi apurado também no levantamento de julho do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que apontou diminuição em 13 das 17 capitais em que a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos é feita, inclusive em São Paulo, onde a variação mensal foi de -1,67%.

Ou seja, a medida sensata é seguir reduzindo a taxa de juros, ainda em patamar excessivamente elevado, para se criar um ambiente que favoreça o crédito, o investimento produtivo e o consumo das famílias, na expectativa de criar um ciclo virtuoso para a economia nacional.

Ponto essencial para que o País retome o desenvolvimento de forma duradoura, com distribuição de renda e geração de empregos de qualidade, é o fortalecimento da indústria nacional, precocemente encolhida nas últimas décadas. Como defende a mais recente edição do projeto “Cresce Brasil  + Engenharia + Desenvolvimento”, trata-se de promover a nova industrialização, que faça frente aos desafios atuais e do futuro, tendo a sustentabilidade ambiental como premissa essencial, e não mero detalhe.

Tal plano exige elevar o padrão de investimentos públicos, mas também privados, o que torna imprescindível que as empresas sejam estimuladas a destinar recursos a aumento da produção, inovação e melhoria dos processos, valorização dos trabalhadores e qualificação profissional e, especialmente, pesquisa e desenvolvimento. Ou seja, ao ganho de produtividade e competitividade nos mercados interno e global.

Portanto, celebremos a notícia alvissareira da redução da Selic e mantenhamos a pressão para que, nos próximos encontros do Copom, a tendência se mantenha de forma substancial.

Eng. Murilo Pinheiro – Presidente da Federação Nacional dos Engenheiros e do Sindicato paulista.

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