Sindicalismo busca melhorar renda e reforçar presença no combate à crise

Data:

Compartilhe:

A Medida Provisória 936/2020, que institui o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, segue a lógica da precarização das relações de trabalho e de enfraquecimento dos Sindicatos, quando propõe acordos individuais entre patrão e empregado sem a mediação sindical.

A MP, que permite a suspensão integral da jornada de trabalho, pode resultar também na redução salarial.

Com o objetivo de reverter os aspectos negativos da medida, que busca evitar demissões em massa provocadas pela redução da atividade econômica durante a pandemia da Covid-19, o sindicalismo deve centrar fogo nas articulações no Congresso Nacional para alterar o texto.

Enfrentamento – Para o consultor Antônio Augusto de Queiroz,  diretor licenciado do Diap, medidas como a estabilidade provisória no emprego e garantia de renda são fundamentais a fim de enfrentar as consequências da pandemia e posterior retomada da economia. Mas a MP 936 – apesar de necessária neste momento – precisa ser melhorada.

“Além de ser insuficiente, no que diz respeito à manutenção da renda dos trabalhadores, o processo de negociação é outro problema a ser enfrentado. O foco das articulações deve ser reforçar o papel dos Sindicatos e melhorar os valores referentes à remuneração”, disse à Agência Sindical.

As Centrais Sindicais defendem que o Programa Emergencial para os trabalhadores formais deve proibir demissões em todo País, garantir estabilidade de emprego durante a crise e 100% de renda aos empregados, além de priorizar os acordos firmados por negociação coletiva.

Morosidade – O professor Oswaldo Augusto de Barros, coordenador do Fórum Sindical dos Trabalhadores e presidente da Confederação  Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Educação e Cultura (Cnteec), conta que outra fonte de preocupação é a demora do governo Federal em implementar medidas de apoio aos segmentos mais atingidos pelos efeitos da quarentena e do isolamento social.

O dirigente avalia: “Estamos em uma situação de guerra, onde as medidas devem ser adotadas com rapidez. A preocupação com a preservação dos empregos é louvável, mas é preciso superar a morosidade do governo na efetivação das medidas – seja para quem tem Carteira assinada, seja para os informais e camadas mais vulneráveis, que precisam dos recursos com urgência”.

Tramitação – A medida provisória pode ser apreciada a qualquer momento pelo plenário virtual da Câmara. Depois, a proposta segue para o Senado. O prazo máximo para apreciação da proposta, pelas novas regras de tramitação das MPs neste momento excepcional, é de 16 dias.

Conteúdo Relacionado

Magri diz por que apoia Lula

Aos 86 anos, Antônio Rogério Magri segue na ativa. Praticante de artes marciais desde a juventude, ele hoje preside o Sindicato dos Profissionais de...

Um em cada três cumpre escala 6×1

Recentemente, o Dieese publicou um trabalho, com ótimos gráficos, abordando vários aspectos da escala 6x1. O estudo mostra que 14,8 milhões de pessoas cumprem...

Sindicalismo reforçará campanha de Lula

Na reta final das eleições, o sindicalismo entra com tudo na campanha pró-reeleição de Lula. Várias iniciativas marcam essa tomada de posição. Uma delas...

Sindicato cria canal contra assédio eleitoral

Trabalhadores vítimas de pressão, ameaça ou constrangimento relacionado às eleições no ambiente de trabalho já podem denunciar os casos pelo WhatsApp do Sindicato do...

Sindicalismo veste a camisa de Lula

Nos últimos dias, amplos setores do movimento sindical decidiram mergulhar na campanha de reeleição do Presidente Lula. Essa decisão passa pelo Fórum das Centrais...