Ambiente de guerra põe em risco até direito adquirido, diz consultor do Diap

Data:

Compartilhe:

Experiente consultor sindical (do Diap) e analista político, o jornalista Antônio Augusto de Queiroz é uma fonte qualificada frente aos assuntos de Brasília – vale dizer, Congresso, governo e Supremo Tribunal Federal.

Na quarta (8), ele conversou com a Agência Sindical, quando abordou a conjuntura da saúde, da economia e do sindicalismo. Também fez projeções quanto a eventuais decisões do colegiado do STF, que, entre os dias 15 e 16, analisará vários assuntos ligados à crise gerada pelo coronavírus. Entre eles, a liminar de Ricardo Lewandowski, que reafirma o Artigo 7º, Inciso VI, da Constituição, quanto à irredutibilidade do salário.

Parte de sua fala exclusiva:

• Supremo, dias 15 e 16
A intenção do STF é analisar, entre os dias 15 e 16, todas as matérias que tenham relação com a crise gerada pela pandemia do coronavírus. A avaliação da liminar concedida por Lewandowski, em 6/4, deve ocorrer no dia 16 (segundo o Estadão, em off, um ministro teria qualificado como “extravagante” a liminar).

• Lógica da economia de guerra
As decisões políticas e administrativas levam em conta o estado de guerra gerado pela Covid-19. No Supremo, esse ambiente também será considerado. Portanto, é preciso ficar atento porque, na atual conjuntura – estado de calamidade -, sequer há segurança para os direitos adquiridos, como, por exemplo, a irredutibilidade de salário. O mesmo vale para a participação sindical nas negociações coletivas que alterem contratos e reduzam salários. Embora esteja na Constituição.

• Quanto à MP 936
Na situação atual, com a grave crise sanitária e seu impacto na economia, uma medida provisória tem lógica. Mas não dá pra aceitar aberrações, como distinção de faixas salariais para casos de acordos individuais ou coletivos; afastamento dos Sindicatos das negociações; e redução dos ganhos, pois as parcelas do seguro-desemprego a quem fizer acordos não serão de 100%. Portanto, haverá achatamento salarial.

• Buscar contrapartidas
O sindicalismo deve insistir em participar das negociações coletivas com as empresas, para garantir legitimidade e legalidade aos acordos. Também se pode negociar o retorno das homologações aos Sindicatos, o que não é mais praticado desde a reforma trabalhista de Temer.

• Mudança de padrões
A duração da crise ainda não sabemos. O certo é que ela muda padrões. O crescimento do home office acelera o uso de novas tecnologias no trabalho, sem que tenhamos nos preparado pra isso. Setores patronais vão se valer do trabalho a distância pra impor mais precarização.

• Acerto de contas pós-crise
A crise empobrece o País, arrocha salários, afeta empregos e eleva gastos públicos. O brasileiro descobre que é preciso poupar. Então, teremos um cenário de maior endividamento público e redução do consumo, por causa do desemprego, da queda na renda e da precaução das famílias ante novos gastos. O costume é querer transferir essa conta para a população. A tensão crescerá.

• Luta política
O próprio Rodrigo Maia, presidente da Câmara, disse que qualquer enfrentamento fica pra depois de controlada a pandemia, pois hoje a preocupação é salvar pessoas, manter empresas e preservar empregos. Mas, é claro, o ambiente pós-guerra trará à tona algum acerto de contas. O cenário, portanto, é de grandes dificuldades e muita imprevisibilidade. Dizem que sou pessimista. Mas acho que não.

Conteúdo Relacionado

Rede Pela Soberania alerta eleitorado

Rede Pela Soberania alerta eleitoradoIntegrantes do movimento Rede Pela Soberania, de vários Estados, fizeram reunião online no final da tarde desta quinta (17). Objetivo...

Magri diz por que Lula é o melhor

Aos 86 anos, Antônio Rogério Magri segue na ativa. Praticante de artes marciais desde a juventude, ele hoje preside o Sindicato dos Profissionais de...

Um em cada três cumpre escala 6×1

Recentemente, o Dieese publicou um trabalho, com ótimos gráficos, abordando vários aspectos da escala 6x1. O estudo mostra que 14,8 milhões de pessoas cumprem...

Sindicalismo reforçará campanha de Lula

Na reta final das eleições, o sindicalismo entra com tudo na campanha pró-reeleição de Lula. Várias iniciativas marcam essa tomada de posição. Uma delas...

Sindicato cria canal contra assédio eleitoral

Trabalhadores vítimas de pressão, ameaça ou constrangimento relacionado às eleições no ambiente de trabalho já podem denunciar os casos pelo WhatsApp do Sindicato do...