Covid-19 atinge 20% dos trabalhadores de frigoríficos

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Sindicatos defendem distanciamento de, no mínimo, 1,5 metro entre trabalhadores

Ambientes fechados e com muita gente trabalhando junta, os frigoríficos se converteram em focos de disseminação do coronavírus no Brasil e no mundo ao longo da pandemia; um problema que está longe de ser resolvido por aqui, segundo as entidades que representam os 500 mil trabalhadores do setor.

Insatisfeitos com as respostas do governo e das empresas às suas reivindicações por maior distanciamento nas plantas, os sindicalistas ameaçam fazer uma grande campanha nacional e internacional para denunciar principalmente a JBS, a maior do setor, a quem acusam de se negar a negociar.

A empresa se diz aberta ao diálogo e alega que já investiu mais de R$ 100 milhões em medidas para conter a propagação do novo coronavírus.

O número de 20% de trabalhadores infectados no setor, o que daria 100 mil pessoas no país, é uma estimativa que o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA), Arthur Camargo, diz ter tirado dos números disponíveis, que não são consolidados nem confirmados pelo Ministério da Saúde.

“Mas há casos em que metade ou quase metade dos empregados pegaram Covid-19”, diz Camargo ao Metrópoles.

“Em uma planta da JBS em Passo Fundo [RS], testaram 400 empregados e 180 tinham Covid. É um enorme problema”, completa o sindicalista, que afirma ainda que tem insistido em tentar negociar com governo e empresas, mas que a resistência é grande.

Também viraram notícia casos como o de Cianorte, no interior do Paraná, onde um abatedouro de aves anunciou que 93 funcionários testaram positivo para Covid-19, número maior do que os 90 casos que a cidade tinha registrado até então, em meados de junho.

É um problema com repercussões na economia que podem ser profundas. A China, maior parceiro comercial do Brasil, chegou a suspender as importações de carnes de alguns frigoríficos do país.

Em uma tentativa de responder às reclamações do setor, o governo publicou em junho uma portaria com medidas de segurança nas fábricas do setor. “Não resolveu em nada”, reclama Camargo.

“O que tivemos de um pouco mais efetivo foi um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] que o Ministério Público do Trabalho propôs e que a BRF [segunda maior do setor] e outras empresas aceitaram”, relata o sindicalista. “Mas, a JBS não quer TAC, não dialoga conosco nem com o MP. Enfim, está focada em seu lucro”, acusa.

Segundo Camargo, a principal medida que a categoria demanda é mais distanciamento nas fábricas. “Pedimos que seja de dois metros, para que, quando se movimentar, cada trabalhador consiga guardar pelo menos um metro e meio do colega. A portaria do governo sugere só um metro, e nem é uma exigência. Só os equipamentos de proteção individual não resolvem”, defende.

Para que a produção não seja afetada, Camargo sugere que as empresas façam mais turnos, entrando pela noite. “Se processam um número x de animais em 10 horas, que mantenham a produção, mas em 20 horas, deixando só metade dos trabalhadores em cada turno”, defende ele.

A CNTA e a Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação da Cut (Contac) dizem que vão tentar uma última vez conversar com a JBS e que, se não houver sucesso, vão acionar a União Internacional das Associações de Trabalhadores em Alimentos (UITA) para fazer uma campanha internacional de denúncias contra a empresa. “Vamos às últimas consequências para dar mais segurança aos trabalhadores, com ações políticas, judiciais e midiáticas”, disse Camargo.

Com informações da Metropóles