Decisão do TST é um retrocesso, mas greve foi heroica

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Após mais de 30 dias de greve, realizada em meio às adversidades da crise sanitária e econômica, os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios decidiram em assembleia pelo retorno ao trabalho.

O julgamento do dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST) consagrou muitos retrocessos que a direção bolsonarista da empresa queria impor, mutilando o Acordo Coletivo da categoria. Mas o resultado seria pior sem paralisação.

A luta não foi em vão e aponta o caminho para reconquistar o que foi perdido em batalhas vindouras. A retirada de direitos conquistados pela classe trabalhadora não é uma realidade apenas nos Correios.

Infelizmente, é observada em um universo muito mais amplo de categorias. Perdas salariais e abolição de benefícios vêm sendo impostos ao povo trabalhador com força desde o governo golpista de Michel Temer, que promoveu a reforma trabalhista, a terceirização sem limites, privatizações e congelamento dos gastos públicos.

A situação piorou com Bolsonaro, que fez a reforma da Previdência e está articulando com o Congresso medidas para retirar direitos e renda dos trabalhadores em benefício dos bancos e grandes empresas.

É este cenário político hostil ao conjunto da classe trabalhadora que está por trás da decisão do TST. É preciso considerar, ainda, que o objetivo do governo Bolsonaro é a privatização da empresa, que no caso significaria a entrega deste valioso patrimônio do povo brasileiro ao capital estrangeiro.

A luta dos grevistas foi heroica e teve o objetivo de defender o patrimônio público contra a ganância das transnacionais. O movimento contou com ampla solidariedade na sociedade, mas não foi o suficiente para manter as conquistas.

Ficou claro para muitos trabalhadores e trabalhadoras que é necessário derrotar o atual governo para preservar e ampliar as conquistas sociais.

Também prevaleceu no dissídio coletivo e no julgamento a campanha do governo e da direção da empresa contra a organização sindical da categoria.

Foram mais de 30 dias de resistência que mostraram o caminho para a categoria se reorganizar, se fortalecer e reunir forças para as próximas batalhas contra a privatização e pela restauração dos direitos subtraídos pelo governo Bolsonaro.

 

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