Era outubro de 1975. O então general Ernesto Geisel tentava, nas suas palavras, realizar “a abertura lenta e gradual” da ditadura. Mas o Presidente enfrentava resistências internas, pressões da linha dura das Forças Armadas e até atentados terroristas contra entidades e cidadãos da oposição.

Um dos ataques mais duros às pretensões de Geisel veio a ocorrer a 25 de outubro de 1975. Nessa data, há 46 anos, o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado dentro do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), em São Paulo.

Vlado, como era chamado pelos colegas da TV Cultura, onde trabalhava, foi detido ao se apresentar voluntariamente para prestar depoimento sobre as acusações de ser ligado ao Partido Comunista Brasileiro. Entrou vivo no DOI-CODI, foi torturado e morto pelos agentes da ditadura, que depois tentaram forjar um suicídio.

Agentes da ditadura forjaram a cena pra que parecesse suicídio

Sua morte gerou indignação na imprensa e na opinião pública, em geral, no Brasil e no Exterior. A missa de sétimo dia, na Catedral da Sé, em São Paulo, reuniu mais de oito mil pessoas que compareceram a um culto ecumênico, celebrado pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o pastor James Wright.

Derrocada – O assassinato do jornalista numa dependência do Estado, durante a ditadura, precipitou a desmoralização do regime e abriu caminhos para a redemocratização nacional.

Livro – Anos depois, o jornalista Audálio Dantas, que então presidia o Sindicato da categoria no Estado de São Paulo, publicou o livro “As duas guerras de Vlado Herzog”, que foi lançado no Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, em 2013.

À época, o presidente do Metalúrgicos, José Pereira dos Santos, afirmou: “O Sindicato apoia a democracia. É nosso dever lembrar às gerações atuais que só temos liberdade hoje porque pessoas como Vlado foram sacrificadas pelo regime”.

MAIS – Site do Instituto Vladimir Herzog.

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