Indústria competitiva demanda inovação – Murilo Pinheiro

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Precocemente encolhido, setor tem entre suas fragilidades o baixo desempenho no desenvolvimento de produtos e processos. É, portanto, ótima notícia o anúncio de recursos para investimentos na área, mas é essencial que as medidas pontuais se convertam em política de Estado permanente.

Um levantamento realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), visando identificar os empecilhos à recuperação do setor, incluiu, como era de se esperar, “inovação e pesquisa” entre os 14 grandes temas identificados. A maioria das 413 empresas (pequenas, médias e grandes) que responderam ao questionário listou como principais problemas para avançar nesse campo a falta de incentivo, o desconhecimento de linhas de financiamento disponíveis e o custo das que são divulgadas, baixa integração universidade-empresa e insuficiência de programas de capacitação para as companhias.

O estudo, desenvolvido para a proposição de políticas públicas no âmbito estadual, pode ser visto também como sinalização para ações nacionais, tendo em vista a relevância da indústria paulista e a probabilidade de que as empresas das demais unidades da Federação enfrentem obstáculos parecidos.

É o que aponta, por exemplo, a edição deste ano do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”. Intitulada “Hora de avançar – Propostas para uma nação soberana, próspera e com justiça social”, a publicação aborda com ênfase a necessidade de promover a nova industrialização e o papel de pesquisa e desenvolvimento nessa meta. O mote da nota técnica do professor Marcelo Zuffo que embasa o documento é exatamente fazer girar a “hélice tríplice”, ou seja, o “modelo consolidado de inovação e empreendedorismo em que universidades, indústria e governo interagem intimamente para promover o desenvolvimento”.

Nesse contexto, entre as medidas propostas, estão ampliar os investimentos públicos e privados em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) ao patamar acima de 2% do Produto Interno Bruto (PIB); garantir recursos às agências de fomento federais e estaduais para promover a pesquisa e o ensino superior; efetivar com medidas jurídicas e institucionais as parcerias necessárias para se atingirem resultados relevantes; e aliar a agenda ambiental àquela ligada às novas tecnologias, aproveitando as vantagens estratégicas nacionais em disponibilidade de energia limpa e recursos naturais.

Assim, foi mais que bem-vindo o anúncio feito no final de agosto pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, de R$ 66 bilhões para investimentos em inovação. Oriundos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os financiamentos terão juros de 4% com prazo de pagamento de 16 anos. Uma parte do montante disponibilizado, R$ 16 bilhões, será concedida por editais, sem necessidade de devolução pelos beneficiados.

Fundamental para que as empresas e a sociedade tirem o melhor proveito dos investimentos a serem feitos é que as demais questões levantadas pela indústria e também apontadas por especialistas, a exemplo dos consultores do “Cresce Brasil”, sejam contempladas numa política nacional de inovação efetiva.

Recuperar sua indústria, precocemente encolhida, é tarefa urgente para o País, que precisa ter um projeto de desenvolvimento de longo prazo que garanta qualificação da mão de obra com ampliação significativa de sua renda média e que assegure sua inserção qualificada no mercado global.

Eng. Murilo Pinheiro – Presidente da Federação Nacional dos Engenheiros e do Sindicato paulista.

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