Já passou da hora de regulamentar as plataformas – Adilson Araújo

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Elon Musk, dono do X (ex-Twitter) e um dos indivíduos mais ricos e arrogantes do planeta, decidiu afrontar a Justiça brasileira. Declarou que não vai mais obedecer ordens emanadas do STF e vem defendendo, nas redes sociais, o impeachment do ministro Alexandre Moraes, fazendo coro com a extrema direita bolsonarista.

O poderoso capitalista não ficou só nas palavras. Já na segunda-feira (8) liberou a conta do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, foragido da Justiça, que teve sua página bloqueada por determinação de Alexandre Moraes.

Bolsonarista raivoso, Santos fez uma live na noite de domingo, transmitida através do canal de extrema direita “Terça Livre”, na qual não poupou provocações ao Poder Judiciário e xingamentos a Moraes.

Big techs e neofascismo

Não é por mera coincidência que o avanço do neofascismo na América Latina e em quase todo o mundo vem na carona do crescente poder centralizado nos meios de comunicação das plataformas digitais, as chamadas big techs.

Segundo a revista Forbes entre as 10 pessoas mais ricas do mundo 3 são proprietários dessas grandes empresas de tecnologia, que no ano passado faturaram nada menos que US 1,59 trilhão e abocanharam um lucro líquido de US$ 320 bilhões.

O conluio entre empresários poderosos que dominam as redes da internet e a extrema direita não é de hoje, mas fica a cada dia mais evidente e descarada.

Ao mesmo tempo em que acumulam lucros fabulosos os grandes capitalistas do ramo castigam seus escravos assalariados com demissões em massa com o declarado objetivo de “cortar gastos” para ampliar as margens de lucro. Em 2023 foram 240 mil trabalhadores e trabalhadoras dispensadas, mais de um terço do total. O facão prossegue impiedoso neste ano. Google e Amazon já anunciaram centenas de demissões.

A internet, com seus insidiosos algoritmos, virou um ninho de extremistas da direita e um centro privilegiado de difusão de Fake News e mensagens preconceituosas, eivadas de racismo, misoginia, xenofobia, machismo e homofobia, que a Constituição sabiamente caracteriza como crimes passíveis de punição.

Alimentando e naturalizando o bolsonarismo

Assim, não é de surpreender que a conduta do bilionário Musk venha ao encontro do anseio de Jair Bolsonaro e seu rebanho neofascista.

Na segunda-feira (8), ele divulgou novas Fake News favoráveis ao mito dos neofascistas nativos, sugerindo que Alexandre Moraes libertou Lula e favoreceu sua vitória contra Bolsonaro em outubro de 2022, insinuando manipulação e fraude das urnas eletrônicas. Acrescentou que Alexandre Moraes tem “Lula na coleira”, numa provocação rasteira.

Já o ex-presidente declarou no domingo (7) que Musk assumiu sua briga pela “liberdade”, virou um símbolo dessa luta e “não tem se intimidado”. “A nossa liberdade em grande parte está nas mãos dele”, disse o covarde político que, apavorado com a perspectiva do xadrez, passou o último carnaval refugiado na embaixada da Hungria.

Desta forma, o bilionário cuida de alimentar o bolsonarismo, cuja natureza golpista, autoritária e antidemocrática já ficou mais que comprovada durante os longos e trágicos quatro anos do governo genocida.

Ofensa à soberania e à democracia

A “liberdade de expressão” defendida pelos neofascistas é enganosa. Jair Bolsonaro é golpista e genocida, fanático defensor da ditadura que prestou uma bizarra homenagem ao torturador-mor do Brasil, Brilhante Ustra, no momento em que a Câmara Federal consumou o golpe do impeachment contra a presidente Dilma.

Conforme já foi assinalado por diferentes observadores e analistas, a conduta do dono da X configura uma intromissão indevida e inadmissível na vida política nacional, uma ofensa à soberania e à democracia brasileira, que não pode ser tutelada pelos grandes capitalistas estrangeiros que hoje têm o domínio e o controle das redes sociais.

A resposta a este descalabro começa pela regulação das plataformas, que em nome de uma falsa liberdade estão naturalizando a barbárie neofascista e solapando as bases do Estado Democrático de Direito.

Ao mesmo tempo, é imperioso combater e derrotar a ofensiva dos bolsonaristas por anistia, pela qual os inimigos da democracia brasileira, campeões em matéria de Fake News, são transformados em heróis da liberdade e vítimas da perseguição do “sistema”. É bizarro.

Adilson Araújo é presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)