Pelé completa 80 anos

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João Franzin é jornalista, santista e coordenador da Agência Sindical. Email: [email protected]

Certa vez, entrevistei Pedro Luís, em vias de cobrir sua 11ª Copa do Mundo. Considerado o mais clássico dos nossos narradores esportivos, falamos de muita coisa, inclusive de Pelé.

Na época, Maradona era o grande craque mundial. E Pedro Luís me disse: – “Quem compara Maradona a Pelé não entende de futebol”. Para ele, próximo de Pelé só Zizinho.

Foi além. Ao mencionar grandes artistas, geniais, ele falou: – “Considero Leonardo da Vinci e Pelé os dois seres humanos que chegaram mais perto da perfeição”.

Pelé foi grande pelo que fez e também, ironicamente, por aquilo que não conseguiu fazer. Talvez sua jogada plasticamente mais bonita seja a famosa bicicleta, um voo simétrico e mortal.

E o que ele não fez? Não fez o gol de cabeça contra a meta de Gordon Banks; não fez o gol contra Mazurkiewsky naquele genial drible de corpo; também não encaçapou aquela cobertura disparada do meio de campo, que fez o goleiro sair catando borboleta.

Conta-se que, certa feita, a TV Tupi pôs uma câmera focada só em Pelé. O registro teria mostrado um atleta ativo, persistente, incansável, de alta performance para o coletivo, durante os 90 minutos da partida. Enfim, Pelé jogava com bola ou sem.

Em determinada época, o São Paulo tinha um beque de nome Arlindo. Numa atrasada do meio campo para o goleiro, mesmo sabendo que não alcançaria a bola, Pelé deu um grito e partiu pra cima do Arlindo. Destrambelhado, ele segurou o craque e cometeu pênalti.

Além de jogar tudo e mais um pouco, Pelé tinha ginga e malícia. Tomava pancada, mas também sabia bater.

João Cabral de Melo Neto, ex-ponta esquerda, escreveu um belo poema sobre Ademir da Guia. Quem estará à altura para escrever um épico sobre o maior de todos, em todos os tempos?

Viva Pelé! Que vá muito além dos 80, com saúde e alegria.

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