A troca de comando na Petrobras pode representar uma mudança de postura do governo federal em relação à política de “desinvestimento” vigente. A nomeação do general Joaquim Silva e Luna para presidência da estatal pode sugerir essa nova estratégia governamental.

A avaliação é do economista Marcio Pochmann, professor da Unicamp, e toma como base o cenário atual da economia. Vale mencionar que desde a troca de comando, a estatal amargou perda de mais de R$ 100 bilhões de valor de mercado.

Mudanças – “Esses movimentos nas peças do xadrez sugerem mudanças”, diz Pochmann. A seu ver, essa é a segunda reorganização do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), que também anunciou mudanças no setor elétrico.

A primeira mudança estratégica, enumera, foi quando o presidente abandonou o “lavajatismo”, após demissão do ex-ministro Sergio Moro, e aproximação dos partidos do Centrão.

Encruzilhada – De acordo com o economista, a pandemia do novo coronavírus também forçou a ampliação dos gastos públicos, distanciando o governo da agenda liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes. “Estamos diante de uma novidade inesperada, que coloca um desafio enorme para a condução do atual governo”, afirma.

Para Pochmann, o presidente está diante de uma “encruzilhada”. Resta saber se a chegada do general Luna vai representar uma “ruptura” com o modelo neoliberal, alterando a política de preços que privilegia exclusivamente os interesses dos acionistas, ou se as diretrizes permanecerão as mesmas.

Petroleiros – A troca de comando na Petrobras não abre esperanças de mudança na política de privatização da companhia, avalia Adaedson Costa, secretário-geral da Federação Nacional dos Petroleiros, que afirma ter sido surpreendido com a mudança para “otimizar os ganhos dos acionistas em prejuízo do papel social da Petrobras, adotar a paridade de preço com o mercado internacional e privatizar a empresa”, comenta.

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