19.1 C
São Paulo
segunda-feira, 24/06/2024

Renovar as esperanças no Bicentenário

Data:

Compartilhe:

A aguardada comemoração dos 200 anos da Independência do País, completados nesta quarta-feira, 7 de setembro, acontece, sem dúvida alguma, em momento difícil da vida nacional. No entanto, há que se celebrar o que foi construído ao longo desses dois séculos, reconhecendo os problemas, mas sem abandonar as esperanças de erigir a nação justa, democrática, próspera e desenvolvida tão sonhada.

Os avanços nesse período foram sempre arduamente conquistados, com muita luta e trabalho, sangue, suor e lágrimas do povo brasileiro. E ainda há um extenso caminho a ser percorrido. O horror da escravidão, que vigia no País em 1822, levou 66 anos para ser abolido oficialmente, mas sua herança nefasta faz-se presente até hoje, quando ainda está por se cumprir a tarefa fundamental de acabar com o racismo e a desigualdade.

Nossa democracia, atropelada por várias ditaduras, tornou-se mais forte a partir do fim do período de exceção entre 1964 e 1985 e da promulgação da Constituição Federal de 1988, mas não está livre de ameaças e ainda carece de consolidação plena. É certamente necessário aprimorar a representação política, que tanto tem deixado a desejar, e a prestação de contas de governantes, que frequentemente se esquecem que são servidores da população, e não o contrário.

Aproximando-se de eleições gerais – direito que foi negado à sociedade brasileira durante os anos de regime autoritário –, é obviamente motivo de júbilo a possibilidade de escolher presidente, governadores, deputados e senadores. É neste momento absolutamente valioso que os cidadãos se igualam; o voto do milionário vale tanto quanto o do mais humilde dos trabalhadores. Porém, o exercício da cidadania deve ir além das urnas; é preciso estabelecer mecanismos efetivos de participação popular no rumo das cidades, dos estados e do País.

A democracia certamente exige a existência de poderes independentes e o funcionamento pleno das instituições que asseguram o império da lei e a garantia de direitos sobre privilégios. No entanto, um país que realmente seja do povo e para o povo deve ser capaz de assegurar condições dignas de vida a todos, com empregos decentes, habitação, saúde, educação, cultura, lazer e infraestrutura adequada. Ou a democracia será apenas formal, beneficiando somente os mais abastados.

Murilo Pinheiro – Presidente do Sindicato dos Engenheiros.
Acesse – www.seesp.org.br

Clique aqui e leia mais opiniões

Conteúdo Relacionado

Parabéns, metalúrgicos (as) e bancárias (os) – João Guilherme Vargas Netto 

Parabéns, metalúrgicos (as) e bancárias (os)Quero fazer meus os termos da indiscrição de Rubens Ricupero, trinta anos atrás e falar de coisas boas sem...

Os interesses por trás do debate sobre contas públicas e Previdência – Adilson Araújo

Está em curso no país uma ruidosa campanha unificada da direita e extrema direita alardeando a necessidade de um ajuste fiscal fundado numa nova...

Um legítimo filho da periferia – Rodrigo de Morais

Tenho muito orgulho de ter nascido e até hoje viver na periferia, lado a lado com o nosso povo, honesto e trabalhador, sempre de...

O Sindicato e a Organização Internacional do Trabalho – OIT – Milton de Araújo

a semana de 10 a 14 de junho, estive no evento da Organização Internacional do Trabalho – OIT, onde tive a oportunidade de me...

Dilemas da aposentadoria – Eduardo Annunciato Chicão

Na atualidade: Entrada na melhor idade ou pena de morte?A tão sonhada aposentadoria transformou-se num verdadeiro tormento para a maioria dos trabalhadores. Não deveria,...