Tirar de quem tem

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João Franzin é jornalista e coordenador da Agência de Comunicação Sindical. E-mail: franzin@agenciasindical.com.br
O Estado de São Paulo possui mais de 60 praças de pedágio. Fazendo uma conta, por cima, de que cada uma tenha seis cabines, então o total chega a 360. Arredondemos pra 350.
 
Essas 350 cabines operam 24 por dia, de domingo a domingo. A tarifa mais cara, na Rodovia dos Imigrantes, estava em janeiro em R$ 27,40. O trânsito habitual nessa via é sempre intenso. Nos feriados e na alta temporada, o movimento é medonho.
 
Na verdade, o negócio dos pedágios é mina de ouro. As empresas amigas do rei pegaram as estradas prontas, fizeram melhorias superficiais, mas enfiaram a faca até o cabo nos motoristas. O caso virou até moda sertaneja, de Jorge Moisés, que conta o custo da viagem entre a Capital e S. José do Rio Preto.
 
Recentemente, a Ecovias confessou à Justiça propina a governantes tucanos, durante 18 anos. Em acordo anunciado, a empresa promete devolver R$ 650 milhões aos cofres públicos, além de fazer obras compensatórias, sem custo para o Estado. O abastecimento ao caixa 2 do PSDB, por si só, já explica por que os pedágios custam tão caro, fora de qualquer padrão internacional.
 
Muito bem. O que pedágio tem a ver com a pandemia de coronavírus? Tem a ver que as bilionárias empresas do setor precisam devolver à população parte dos lucros exorbitantes obtidos nesses anos de negociatas e mamatas.
 
Se eu fosse o governador Doria, deixaria pronto um termo de doação ao Estado, chamaria a Ecovias e as demais e pediria que assinassem. Me faria acompanhar, além da imprensa, pelo chefe da Receita Federal e o titular da Polícia Federal, para que esses empresários entendessem o recado.
 
Imagine se cada cabine de pedágio pudesse reter R$ 50 centavos por carro que passa pelas praças, durante três meses. Essa iniciativa teria condições de gerar uma receita extra vultosa para um fundo de combate à pandemia. Certamente, nenhuma empresa de pedágio entraria no vermelho ou iria à falência.
 
É possível? Sim. Basta o governo estadual exercer sua função e sua autoridade, neste momento de guerra na frente sanitária, tirando de quem tem, porque é justo.

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