João Franzin, da Agência Sindical, percorreu as duas manifestações no 7 de Setembro, em São Paulo. Das 13h40, começando pelo Vale do Anhangabaú, onde ocorria protesto da oposição, até as 17 horas, na Avenida Paulista e arredores, palco de bolsonaristas.

Desde 2016, ele comparece a todos os atos – da direita e da oposição. Sua ideia é mostrar aspectos variados dos atos, ouvir pessoas e registrar cenas. Franzin diz: “Relato o que vejo, não o que gostaria de ver”.

Sobre o ato bolsonarista, ele aponta uma dissonância. “Enquanto Bolsonaro destilava histeria, seus seguidores mostravam calma e alguns até passeavam com a família”, observa.

RELATO:

Cobertura – Começo no Vale do Anhangabaú. Pouca gente. Mais ativistas de movimentos. Bandeiras do PCO e PSOL dominam. No microfone, moça entoa: “Lutar, lutar/O povo vai lutar/Fora Bolsonaro/Poder popular”.

Falei com ativista do PCO, que criticou a falta de empenho da CUT e dos partidos. Perguntei por que não criticam o desemprego, o preço do gás, a conta de luz. Ela: “Pois é, tá faltando”.

Mendigos – No Largo São Bento, quis saber se eram a favor ou contra Bolsonaro. O rapaz jovem e a mulher disseram que não sabiam. A senhora mais velha quis saber se o Bolsa-família vai continuar.

Banca – Perguntei o que estava acontecendo. O funcionário: “É do PT, PT e Lula”. Sobre Bolsonaro, disse que ser contra.

Na Paulista (15 horas) – Muito longe das multidões na época de idolatria do juiz Moro e do boneco inflável de Lula.

Basicamente críticas ao Supremo e à urna eletrônica. Duas senhorinhas, num ponto de ônibus. Uma é da Igreja Quadrangular; outra, Cristã do Brasil. Ambas batem no STF. Pedi citar atitude da Corte que tenha prejudicado uma delas. Não sabiam. Ambas disseram que o Congresso não deixa Bolsonaro governar. Disse que ele tem maioria folgada. Não adiantou. A mais falante: “Não temos liberdade”. Eu: “Como não? Estamos conversando livremente aqui”.

A suposta esquerda tasca hip hop (no Vale). Já a direita/raiz toca o Hino Nacional brasileiro, embora Bolsonaro bata continência pra bandeira dos USA.

Saldo numérico – 9×1 pra Bolsonaro. Não temos condições de enfrentar Bolsonaro no terreno dele, com máquina, dinheiro etc.

Monarquia – Antes de beijar a mão, o sujeito bateu continência pro padre. Nem na Espanha de Franco isso acontecia. O padreco acompanhava o representante da suposta família real. Coroa e batina juntas é aliança entre o atraso e o obscurantismo.

Paisagem – O que vi ao percorrer a Paulista, algumas travessas, quase toda a Alameda Santos e parte da Itu. Classe: Nitidamente média alta; Cor: Brancos, esmagadoramente; Pardos e negros em quantidade ínfima; Faixa etária: De 35 a 60/65 anos; Sexo: Homens, em grande maioria; Jovens: Poucos, maioria com os pais.

Outros aspectos – Sérgio Moro sumiu. Falas das pessoas, mais amenas. Muitos de fora da Capital/outros Estados. Zero menção a partidos. Sem palavra de ordem mobilizadora, ensejando dia seguinte. Presença de fiéis evangélicos. Obviamente, não se falou em desemprego ou aumento no custo de vida.

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