Suor e sangue no 13º salário – Josinaldo José de Barros

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Está chegando a época do 13º salário. A média nacional do benefício será de R$ 3.057,00. O volume total chegará a R$ 291 bilhões. O 13º será pago a 87,7 milhões de brasileiros. Os dados são do Dieese.

Vou repetir: 87,7 milhões de brasileiros, da ativa ou aposentados, receberão o benefício. Total de R$ 291 bilhões. Isso equivale a 2,7% do Produto Interno Bruto.

A quem cabe o mérito dessa conquista espetacular? Cabe ao movimento sindical, que ainda nos anos 40 do século passado lutava pelos primeiros Abonos Natalinos.

Pois bem: no ano de 1961, o movimento comandou greve geral buscando legalizar o 13º. Os metalúrgicos foram linha de frente daquela greve. Em 1962, o presidente João Goulart (que dá nome ao auditório de nosso Sindicato) tornou o 13º salário direito de todos os trabalhadores brasileiros.

Digo isso pra reafirmar, mais uma vez, que o sindicalismo é a única organização que ajuda a distribuir renda na base. Só em Guarulhos, o 13º injetará R$ 1.378.041,240,31 na economia. Esse dinheiro irá para o comércio e serviços, reforçando as encomendas à indústria, que poderá manter empregos ou fazer novas contratações.

Quando o 13º salário foi criado, a classe dominante ficou irada. A grande mídia fez violenta campanha contra. O presidente Jango quase foi crucificado. Quando eles deram o golpe de Estado em 1º de abril de 1964, as primeiras vítimas da repressão foram os Sindicatos e os trabalhadores.

Boa parte da classe dominante brasileira se enriqueceu com 350 anos de trabalho escravo, nas fazendas de café, nas minas de extração de ouro e por outras formas de exploração. Natural que essa parte da burguesia selvagem seja contra os Sindicatos. Ou seja, contra quem defende o trabalhador.

Trabalhador – Preste atenção nos números estupendos do décimo terceiro. Não foi presente que nos deram. Pelo contrário: foram gerações passadas que conquistaram. Portanto, temos o dever moral de reconhecer essa dívida para com aqueles valentes que foram à luta por um décimo terceiro salário.

Veja bem: o movimento sindical que conquistou o 13º é o mesmo que, na Constituinte de 1988, reduziu a jornada de trabalho, ampliou a licença-maternidade, conseguiu licença- paternidade e, entre outros direitos, ampliou de 10% pra 40% a multa da empresa sobre o Fundo de Garantia dos demitidos.

Anos depois, o mesmo sindicalismo conseguiu a lei da Participação nos Lucros e/ou Resultados – PLR. Hoje, grande parte dos metalúrgicos já recebe esse benefício.

Imagine sua vida sem 13º salário, sem o 1/3 no abono de Férias, sem a multa dos 40% no Fundo de Garantia, sem o pagamento da PLR?
Mas podemos conquistar ainda mais. Como? Se você fortalecer seu Sindicato, contribuir com a entidade, se sindicalizar e participar das lutas sindicais. Vamos nessa?

Josinaldo José de Barros (Cabeça),
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.
Diretoria Metalúrgicos em Ação.

E-mail: josinaldo@metalurgico.org.br
Facebook: /josinaldo.cabeca.1

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